Eu Andarei Contigo

Eu Andarei Contigo

São denominamos “amigos do rei” indivíduos que recebem privilégios ou favorecimentos em razão da proximidade que possuem com o(s) sujeito(s) que manda(m). Tratando do termo em sua literalidade, emergem das profundezas da desesperança os servos – que bem faríamos em chamá-los de amigos – do capitão dos exércitos do Rei da Síria, Naamã. Vencendo o constrangimento da necessidade de discordância, educadamente retiraram as escamas da escuridão dos olhos de seu encolerizado líder.

Arrazoava Naamã em seu coração, ao receber do mensageiro do profeta Eliseu a incumbência de lavar-se no Jordão para ficar curado da lepra:

“(…) Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, e invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso.

Não são porventura Abana e Farfar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação” (2 Reis 5: 12-13).

Em meio à tanta indiferença e falta de misericórdia para com os doentes (na maior parte das vezes instigadas pelo esbanjar de saúde), irrompe o belo exemplo de empatia dos amigos desse enfermo!

“Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado.”

O Élder Robert D. Hales disse: “Amigos são pessoas que fazem com que nos seja mais fácil viver o evangelho de Jesus Cristo”.

Estamos cercados de pessoas que fazem com que nos seja mais fácil viver o evangelho de Jesus Cristo?

O apóstolo Paulo ensinou sobre as más instigações: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15:33).

Citar o popular jargão “Diga-me com quem andas, e eu te direi quem és” pode soar como provocação. Pode mesmo instaurar acobardamento. Conquanto, se a afirmativa for avaliada com calma, pode nos trazer uma valiosa lição.

Em sua visita aos Nefitas, o Salvador ministrou somente àqueles que Nele haviam exercido fé. Àqueles que pela fé, crença e boas obras, foram poupados das calamidades e catástrofes pelas quais passou a Terra, durante os três dias em que esteve no Mundo Espiritual.

E o que dizer de mais um dos conselhos de Paulo, em sua segunda epístola a Timóteo?

“Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.

Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,

Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,

Traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amantes dos deleites do que amantes de Deus,

Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Timóteo 3:1-5).

Andar “com” é diferente de andar “entre”.

Alma, o filho, “(…) andava secretamente com os filhos de Mosias procurando destruir a igreja e desviar o povo do Senhor, contrariando os mandamentos de Deus e os do próprio rei” (Mosias 27:10).

Os profetas e missionários andam entre os iníquos, pregando o evangelho e clamando o arrependimento. O próprio já citado Alma, com seus filhos, entre o povo:

“E então aconteceu que os filhos de Alma andaram entre o povo para proclamar-lhes a palavra. E o próprio Alma não conseguiu descansar e fez o mesmo” (Alma 43:1).

Nossa responsabilidade de amar a todos é inerente ao discipulado. Sendo as mãos do Senhor na Terra, pode ser que sejamos a resposta à silenciosa oração de um filho do Pai Celestial. Sei, por experiência própria, que essa é uma das mais agradáveis experiências da vida.

Tal como aconteceu com Naamã e seus servos (amigos), por nosso meio o Senhor poderá realizar milagres na vida das pessoas. Eles não acontecerão, contudo, se deixarmos o constrangimento ser maior do que o impulsionamento do Espírito Santo. A voz de advertência deve chegar às pessoas.

Muitas pessoas já depararam-se em seu celular com mensagem semelhante à seguinte:

som alto

Ela lhe traz cólera ao coração? Inquietação? Aborrecimento? Ou o prazer de saber que se está sendo cuidado, mesmo nas tarefas mais recorrentes da vida?

Pode ser que recaia sobre nós o encargo de guardarmos o nosso irmão. Sinto o Salvador perto ao procurar fazer pelas pessoas o mesmo que Ele faria se estivesse aqui. Mesmo que seja a correção.

Sempre me emociono ao pensar sobre um dos meus hinos favoritos da primária. Eu Andarei Contigo, de Carol Lynn Pearson:

“Se teu andar não é como o meu,
Muitos se afastarão de ti.
Mas eu não! Eu não!

Se teu falar não é como o meu
Muitos até rirão de ti.
Mas eu não! Eu não!

O meu amor demonstrarei,
Contigo sempre estarei.

Pois Jesus o seu amor
A todos sempre ofertou
E assim eu farei.
Ele a todos abençoa
E nos diz: “Vem, segue-me”

E assim eu farei.
E o seguirei.
Contigo andando e falando,
Meu amor demonstrarei.

Se procurarmos andar abençoando a vida das pessoas, especialmente as rejeitadas, desprezadas, entristecidas, amarguradas, desesperançosas, depressivas, humilhadas, cujas mãos pendem e cujos joelhos encontram-se enfraquecidos, estaremos sendo verdadeiros discípulos do Salvador Jesus Cristo.

Anúncios

12 Hábitos a Adquirir Como membros da Igreja

12 Hábitos a Adquirir Como membros da Igreja

Em uma das minhas últimas consultas ao médico, observei que o tempo de espera foi maior do que o tempo de atendimento. Analogamente, é a vida. Calculável, finita. Eminentemente ínfima em relação à existência antecedente, assim como à precedente. Não como exemplos perfeitamente aplicáveis, mas como ajuda à percepção de tal lapso temporal, poderíamos citar a gota no balde e o nó em uma grande corda.
Paradoxalmente, a curta vida, por vezes, parece tornar-se desmedida. Fica-nos mesmo a impressão de que a ampulheta caiu de lado, e o tempo parou. Sentimos o peso da rotina. Eventualmente, sentimos que a vida se tornou o que se diz do caráter do próprio Pai Eterno, a mesma “ontem”, “hoje” e, quem sabe, no nosso caso, “para sempre”.

Observemos as seguintes escrituras:

3 Néfi 2:4:

“E assim se passou o nonagésimo sexto ano; e também o nonagésimo sétimo ano; e também o nonagésimo oitavo ano; e também o nonagésimo nono ano;”

3 Néfi 5:7:

“E assim se passou o vigésimo segundo ano e também o vigésimo terceiro ano e o vigésimo quarto e o vigésimo quinto; e assim se passaram vinte e cinco anos.”

4 Néfi 1:6:

“E assim se passou o trigésimo oitavo ano, bem como o trigésimo nono e o quadragésimo primeiro e o quadragésimo segundo, sim, até que se passaram quarenta e nove anos e também o quinquagésimo primeiro e o quinquagésimo segundo, sim, até que se passaram cinquenta e nove anos.”

As circunstâncias históricas do primeiro versículo diferem das dos dois últimos, assemelhando-se meramente pela habitualidade das suas práticas. Por um lado, cegueira espiritual e permissividade impulsionada por Satanás. Por outro lado, fidelidade e perseverança. Sinais seguindo os que criam. Banimento das combinações iníquas e secretas e abomináveis.

Hábitos criados, nos dois casos.

Segundo Aristóteles, “não saber que em todos os assuntos os hábitos se adquirem mediante a continuidade dos hábitos, é um erro grosseiro.”

Mesmo os mais concretos maus hábitos podem ser esfacelados.

C. S. Lewis:

“A respeito de “voltar no tempo”. Você pensaria que estou brincando se dissesse que podemos atrasar o relógio e que, se o relógio está errado, é essa a coisa sensata a fazer? Prefiro, entretanto, deixar de lado essa comparação com relógios. Todos nós queremos o progresso.

Progredir, porém, é aproximarmo-nos do lugar aonde queremos chegar. Se você tomou o caminho errado, não vai chegar mais perto do objetivo se seguir em frente. Para quem está na estrada errada, progredir é dar meia-volta e retornar à direção correta; nesse caso, a pessoa que der meia-volta mais cedo será a mais avançada.

Todos já tivemos essa experiência com as contas de aritmética. Quando erramos uma soma desde o início, sabemos que, quanto antes admitirmos o engano e voltarmos ao começo, tanto antes chegaremos à resposta correta. Não há nada de progressista em ser um cabeça-dura que se recusa a admitir o erro. Penso que, se examinarmos o estado atual do mundo, é bastante óbvio que a humanidade cometeu algum grande erro.
Tomamos o caminho errado. Se assim for, devemos dar meia-volta. Voltar é o caminho mais rápido.”

Os capítulos 3, de 3 Néfi, e 1, de 4 Néfi, supracitados, testemunham que, “pela glória do Pai”, tendo tomado sobre nós o nome de Cristo, andaremos em “novidade de vida” (Romanos 6:1-4). Para todos os Nefitas que exerceram fé no Salvador, as novidades vieram em forma de ministério pessoal do Salvador, depois de sua ressurreição, e de extinção das contendas e felicidade, “em virtude do amor a Deus que existia no coração do povo. (…) e certamente não poderia haver povo mais feliz entre todos os povos criados pela mão de Deus” (4 Néfi 1:15-16).

Um dos hábitos negativos que deveríamos buscar eliminar de nossa vida, diz respeito às palavras que proferimos. Conforme ensinou o Élder Larry R. Lawrence, dos 70:

“(…) Satanás não conhece nossos pensamentos a menos que os contemos a ele. O Senhor explicou: “Ninguém há, a não ser Deus, que conheça teus pensamentos e os intentos de teu coração” (D&C 6:16).”

Talvez seja por isso que o Senhor nos deu mandamentos como “Não murmures” (D&C 9:6) e “Não falarás mal de teu próximo” (D&C 42:27). Se você conseguir aprender a refrear a língua (ver Tiago 1:26), não acabará dando informações demais ao diabo. Quando ele ouve lamúrias, reclamações e críticas, anota tudo cuidadosamente. Suas palavras negativas expõem suas fraquezas ao inimigo!”

O Élder Lawrence, citando o presidente Benson, ensinou sobre 12 maneiras de vencer o desânimo. São excelentes hábitos a adquirir:

1 – Servir ao próximo;
2 – Trabalhar arduamente;
3 – Evitar a ociosidade;
4 – Ter bons hábitos de saúde;
5 – Exercícios físicos;
6 – Alimentos naturais;
7 – Pedir bênção(s) do sacerdócio;
8 – Ouvir música inspiradora;
9 – Contar as bênçãos;
10 – Traçar metas;
11 – Escrituras;
12 – Orar sempre.

Sei que desejar a alegria das novidades de vida advindas do Senhor não é utopia. O Senhor está obrigado quando fazemos o que Ele diz. (Doutrina & Convênios 82:10). Pois, “(…) como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam”.

A visão de um não-membro sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

A visão de um não-membro sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Por Rafael Estima:

Estou escrevendo este post neste blog para expressar a visão de uma pessoa que não é membro da  Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sobre esta igreja.

Então agradeço ao meu amigo Wagner por ceder este espaço em seu blog.

Então vou mostrar a minha visão.

A primeira vez que ouvi falar nessa igreja foi através de uns amigos. Escutava alguns deles dizendo:

“Fulano está aprendendo inglês com os mórmons…”

“Os mórmons são os melhores professores de inglês!”

“Eles têm um segredo para aprender qualquer língua.”

Confesso que aquilo chamou minha atenção. Quem seriam os tais “mórmons”? Seria uma seita maluca? Qual seria o grande segredo para aprender qualquer língua?

Apesar de ficar curioso segui minha vida normalmente. Realizava meus trabalhos em desenvolvimento de software e seguia estudando para escolher as melhores ações para investir na bolsa.

Quando Fui Pesquisar?

Muitos anos depois acabei conhecendo o Wagner no trabalho. Apesar de chegar falando pouco logo estávamos tendo várias conversas pois trabalhamos a maior parte do tempo juntos.

Em algumas dessas conversas fiquei sabendo que ele era mórmon e que tinha até mesmo participado de uma missão em Fortaleza.

Me espantou a convicção dele em suas crenças e também a sua disciplina em seguir sua vida através dos ensinamentos da sua igreja. Com isso, decidi pesquisar mais a respeito para saber quem eram esses fiéis.

Minha grande surpresa foi que eles são cristãos!

Como minha família é católica conheço um pouco da Bíblia, apesar de não seguir a religião. Achei muito interessante quando descobri que os mórmons levam em conta apenas algumas interpretações da Bíblia, e não a seguem tal qual está escrito.

Tive grande admiração nisso pois como minha família é católica sei o quão difícil é afirmar seus pontos contrários para um católico fervoroso. Se isso é difícil hoje, imagina no século 19.

Tive também alguma identificação com Joseph Smith, pois ele no começo tinha a mesma dúvida que eu tenho hoje. Qual será a verdadeira igreja?

Minhas dúvidas ainda vão além. Será que existe mesmo uma verdadeira igreja? Ou serão todas verdadeiras?

Provavelmente eu morra sem saber isso. Entretanto o que sei é que se eu faço o bem me sinto bem, se eu faço o mal me sinto mal.

Para finalizar, minha visão sobre os mórmons é de admiração pois sei o quanto é desgastante ir contra um padrão, como fez Joseph Smith. E quanto a minha religião, diria que sou agnóstico.

Ao Wagner novamente deixo meus agradecimentos, e minha cordial saudação a todos os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

“Ó Deus, Onde Estás?”

“Ó Deus, Onde Estás?”

“Ora, podes supor que isto seja tolice de minha parte; mas eis que te digo que é por meio de coisas pequenas e simples que as grandes são realizadas” (Alma 37:6). Um pequeno grão de arroz pode virar uma balança. Mesmo a última instância da dor humana pode ser mitigada pelo palpitar do coração de um pequeno ser de 4 milímetros, ainda em formação.

A serpente levantada por Moisés no deserto possuía o poder de curar os indivíduos envenenados que meramente olhassem para ela. A experiência desses israelitas simplesmente não difere copiosamente da nossa. Os céus são a morada de Deus, e estão à nossa vista. Nós também podemos escolher olhar e viver. Deus está muito próximo. Cristo está muito perto. A primeira visão do jovem Joseph Smith evidencia que o Pai e o Filho estavam próximos.

A todos que de alguma forma sentem que Deus está longe, gostaria de compartilhar as palavras de dois cristãos.

Carlos Wizard Martins, um investidor de sucesso, escreveu em seu livro Desperte o Milionário Que Há Em Você:

“Gostaria de sugerir-lhe uma experiência que lhe auxiliará em seu contato com sua
espiritualidade. É um gesto pessoal que exigirá atitude de humildade, mansidão e reverência de sua parte.

Essa experiência consiste no seguinte: reserve para si mesmo um tempo de meditação e reflexão. Escolha local, dia e horário em que você esteja livre de interrupções ou interferências. Se possível, fique em contato com a natureza, diante da beleza das montanhas, do campo ou do mar. Você saberá escolher o lugar mais apropriado.
Quando estiver nesse local reservado, comece a conversar, em espírito de agradecimento, com o Criador. Você poderá começar agradecendo pela criação do mundo, pelo calor do Sol, pela beleza da Lua e das estrelas, pelo ar que você respira, por sua concepção, por sua gestação, por seu nascimento.

Agradeça por seu corpo, seus órgãos, seus membros, sua mente, sua inteligência. Agradeça por seus primeiros dias de vida, por sua mãe, por seu pai (mesmo que ele seja desconhecido), por sua infância, por seus familiares, por seus primeiros anos de vida, pelo primeiro dia de aula, por seus professores, por seus vizinhos, por seus amigos da infância e da juventude.

Quanto mais completo e mais detalhado for o seu agradecimento, mais efeito terá.
Continue com seu espírito de gratidão passando por todas as fases de sua vida até chegar ao dia presente. Não tenha pressa. Talvez você opte por escrever seus sentimentos nesse momento. Siga as impressões de seu coração, pois o importante é você reconhecer a mão de Deus em cada fase de sua existência.

Com essa atitude constante no coração, você desenvolverá cada vez mais sua espiritualidade. Você criará uma conexão ou ligação espiritual com o Criador e, com o espírito cheio de gratidão, estará mais preparado para ser guiado por Deus rumo à realização de seus desejos mais sinceros.

Que alegria saber que você pode manter um elo com o próprio Criador, um ser celestial, onipotente, onisciente, fonte de toda luz, inteligência, sabedoria e amor! Por ser filho de Deus, esse universo lhe pertence como legítima herança. O mais importante é que você também é herdeiro das características, dos atributos e dos dons divinos. Tenha certeza de que você não está sozinho. Deus, como um Pai amoroso, está sempre à sua disposição. Tente falar com um mortal e você terá a maior dificuldade em marcar um horário, agendar uma data, e ainda terá de telefonar com antecedência para confirmar o encontro. Deus, todo-poderoso, coloca-se humildemente ao seu dispor a qualquer hora do dia ou da noite, e você pode alcançá-lo onde estiver: em casa, no trabalho, na escola, no campo, nas ruas, em momentos de alegria ou de dor.

Observe o pensamento inspirador de Keith DeGreen a respeito das bênçãos temporais:
“Na medida em que o dinheiro é a qualidade dos serviços que prestamos aos outros, acumulá-lo é nobre. Na medida em que utilizamos nosso dinheiro a serviço dos que amamos, suprindo os com todo o calor, conforto e segurança possíveis, o dispêndio é compensador e divino”.

Seria na verdade uma incoerência pensar que Deus, sendo Pai de amor, Criador de todas as riquezas, de todas as fortunas, todo minério, minas incontáveis de diamantes, prata e ouro, impedisse seus filhos de usufruir de sua criação. Por isso, agradeça a Deus pela riqueza existente ao seu redor e à sua disposição. Toda essa riqueza é sua. Ela lhe pertence. É preciso, porém, que você, como legítimo herdeiro, reivindique essas bênçãos das mãos daquele que as criou. Lembre-se dessas palavras: “Tudo o que pedires ao Pai com fé, acreditando que recebereis, ser-lhe-á concedido”. Essa passagem inclui talentos, habilidades, dons, amor, casamento, filhos, terrenos, casas, apartamentos, automóveis, empresas, indústrias, ou seja, tudo o que seu coração desejar.”

C. S. Lewis (meu autor favorito), em seu livro Cristianismo Puro E Simples:

“O organismo vivo não se caracteriza por nunca se ferir, mas sim por ter um poder, mesmo que limitado, de recuperação. Da mesma forma, o cristão não é um homem que nunca erra, mas um homem capaz de se arrepender, de levantar a cabeça e seguir em frente após cada queda. Ele é assim porque a vida de Cristo está dentro dele, sempre pronta para recuperá-lo, habilitando-o a imitar (em certa medida) a morte voluntária que o próprio Cristo levou a cabo.

É por isso que o cristão se encontra numa situação diferente da de outras pessoas que tentam ser boas. Estas esperam, por ser boas, agradar a Deus, quando nele acreditam; ou, caso não acreditem, esperam pelo menos receber a aprovação dos homens bons. Já o cristão pensa que todo bem que faz advém da vida de Cristo que o anima interiormente. Não pensa que Deus nos amará mais por sermos bons, mas que Deus nos fará bons porque nos amou primeiro, do mesmo modo que o teto de uma estufa não atrai o sol por ser brilhante, mas brilha porque o sol irradia sobre ele.

(…)

Os cristãos são o corpo de Cristo, o organismo através do qual ele trabalha. Cada acréscimo a esse corpo permite que ele trabalhe mais. Se você quer ajudar os que estão de fora, tem de acrescentar sua pequena célula ao corpo de Cristo, o único que pode ajudá-los. Decepar o dedo de um homem seria uma forma excêntrica de levá-lo a trabalhar mais.

Vamos a outra objeção possível. Por que Deus quis entrar sob disfarce neste mundo ocupado pelo inimigo, fundando uma espécie de sociedade secreta para minar o demônio? Por que não invade o território com força total? Será que ele não é forte o suficiente? Bem, os cristãos acreditam que Deus vai utilizar a força total; apenas não se sabe quando. Mas podemos adivinhar o porquê do atraso. Agindo assim, ele nos dá uma chance de aderirmos à sua causa livremente. Não acho que você e eu teríamos em alta estima um francês que esperasse os aliados marcharem Alemanha adentro para só então anunciar que estava do nosso lado. E certo que Deus vai invadir. Mas não sei se as pessoas que pedem que Deus interfira aberta e diretamente em nosso mundo sabem exatamente o que estão pedindo. Quando ele fizer isso, será o fim do mundo.

Quando o autor sobe ao palco, é porque a peça já terminou. A invasão divina vai acontecer, não há dúvida quanto a isso; mas o que vamos ganhar se só então anunciarmos que estávamos do lado dele? De que nos valerá isso quando o universo se dissolver como um sonho e algo até então inconcebível para nossa mente sobrevier com estrépito — algo tão magnífico para alguns e tão terrível para outros? De que isso nos valerá quando não pudermos mais escolher? Dessa vez, Deus se apresentará sem disfarce, e virá com tamanho poder que causará em cada criatura um amor irresistível ou um irresistível horror. Será tarde demais, então, para escolher um dos lados.

Quando não é mais possível ficar em pé, de nada adianta você dizer que decidiu ficar deitado. Aquele não será o tempo das escolhas, mas sim da revelação do lado a que pertencíamos, tivéssemos consciência disso ou não. Hoje, agora, neste momento, temos a oportunidade de escolher o lado correto. Deus tarda a aparecer para nos dar essa chance, que não durará para sempre. É pegar ou largar.”

Uma maneira diferente de aprender e ensinar o Plano de Salvação

Uma maneira diferente de aprender e ensinar o Plano de Salvação

Ano novo, e geralmente reiniciamos os nossos estudos (especialmente na igreja) pelo Plano de Salvação. O Plano de Salvação, resumidamente, é o plano criado por Deus para resgatar e exaltar a humanidade. Lembro-me, inclusive, que durante alguns anos, os professores do SEI, ao menos nesta região, foram incentivados a iniciar o ano letivo com uma lição especial sobre o supra citado plano.

O Plano de Salvação responde algumas das maiores perguntas da alma: De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde iremos? É também conhecido por outros nomes, e cada um deles reflete um de seus propósitos. Plano de Felicidade e Plano de Misericórdia são alguns deles. Apesar disso, talvez devido a sua compleição, vem sendo sempre ensinado de forma análoga, desprovido dos diversos métodos que possibilitam melhorar e aprofundar a compreensão.

Conforme o manual Ensino, Não Há Maior Chamado: “Ao fazer o cardápio semanal da família, uma dona-de-casa não planeja refeições idênticas para os sete dias. Mesmo que seu orçamento seja tão apertado a ponto de obrigá-la a servir batatas diariamente, ela logo se dá conta de que há muitas formas de fazê-lo. O evangelho também pode ser apresentado de várias formas diferentes. Nenhum professor deve cair no monótono esquema de dar o mesmo tipo de aula semana após semana. Quando você utiliza atividades diversificadas, os alunos conseguirão compreender melhor os princípios do evangelho e fixá-los. Um método cuidadosamente escolhido pode tornar um princípio mais claro, interessante e memorável. Ao preparar-se para ensinar, não deixe de diversificar os métodos didáticos de uma aula para outra.”

Em fevereiro de 2007 fomos agraciados pela A Liahona com uma forma diferente de aprender e ensinar o Plano de Salvação. Nessa edição, o brilhante artigo de John W. Welch (Professor da Faculdade de Direito J. Reuben Clark, da Universidade Brigham Young) intitulado “O Bom Samaritano: Símbolos Esquecidos” foi publicado. Compartilho a tão singular produção a fim de que seja apreciada, da mesma maneira que eu a aprecie. Senti o Espírito confirmar-me a veracidade das comparações nela contidas e do indubitável amor de Deus (tema central da parábola adaptada) por cada um de nós, seus filhos.

O Bom Samaritano: Símbolos Esquecidos
John W. Welch

Uma das histórias de maior repercussão contadas por Jesus Cristo é a parábola do bom samaritano. Jesus contou essa parábola a um homem que lhe perguntou: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu, perguntando: “Que está escrito na lei?”

O homem respondeu, referindo-se a Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração (…) e ao teu próximo como a ti mesmo”.

Quando Jesus prometeu: “Faze isso, e viverás”, o homem respondeu desafiadoramente: “E quem é o meu próximo?” Em resposta às perguntas daquele homem, Jesus contou a parábola do bom samaritano (ver Lucas 10:25–35).

Níveis Mais Profundos de Significado

O Salvador freqüentemente falava por parábolas porque cada uma delas tinha um significado mais profundo, somente compreendido por aqueles que tinham “ouvidos para ouvir” (Mateus 13:9). O Profeta Joseph Smith afirmou que os descrentes não compreendiam as parábolas do Salvador. “Mas para Seus discípulos [o Senhor] explicou [as parábolas] claramente”, e podemos compreender as parábolas, ensinou o Profeta, “se apenas abrirmos os olhos e lermos com singeleza”. O conhecimento desse princípio convida-nos à reflexão sobre a mensagem simbólica do bom samaritano. À luz do evangelho de Jesus Cristo, essa história maestral resume o plano de salvação tão brilhantemente que poucos leitores modernos devem tê-lo notado.

O conteúdo dessa parábola é claramente prático e dramático em seu significado óbvio, mas uma tradição cristã consagrada pelo tempo também vê a parábola como uma impressionante alegoria da Queda e Redenção da humanidade. Esse antigo significado cristão da parábola do bom samaritano é mostrado em uma famosa catedral do século XI, em Chartres, França. Um de seus belos vitrais mostra a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden no alto da janela e, em paralelo, a parábola do bom samaritano na parte de baixo. Isso ilustra “uma interpretação simbólica da parábola de Cristo que era muito popular na Idade Média”. Ao ver aquele vitral, perguntei-me: O que a Queda de Adão e Eva tem a ver com a parábola do bom samaritano?

Logo descobri a resposta. As origens dessa interpretação alegórica remontam ao início do cristianismo. No segundo século d. C., tanto Irineu, na França, quanto Clemente, da Alexandria, viam no bom samaritano um símbolo do próprio Cristo salvando a vítima caída, ferida pelo pecado. Poucos anos depois, Orígenes, discípulo de Clemente, declarou que essa interpretação lhe foi transmitida pelos primeiros cristãos, que descreviam a alegoria da seguinte maneira:

“O homem que estava descendo pelo caminho é Adão. Jerusalém é o paraíso, e Jericó é o mundo. Os salteadores são os poderes hostis. O sacerdote é a Lei, o levita são os profetas, e o samaritano é Cristo. As feridas são a desobediência, o animal é o corpo do Senhor, a [estalagem], que aceita todos os que desejam entrar, é a Igreja. (…) O hospedeiro da estalagem é o cabeça da Igreja, que foi confiada aos cuidados dele. E o fato de que o samaritano prometeu voltar representa a segunda vinda do Salvador.”

Essa leitura alegórica foi ensinada não apenas pelos antigos seguidores de Jesus, mas era praticamente universal em todo o cristianismo primitivo, sendo defendida por Irineu, Clemente e Orígenes, e no século IV e V, por Crisóstomo, em Constantinopla, Ambrósio, em Milão, e Agostinho, no norte da África. Essa interpretação é encontrada em sua forma mais completa em dois outros vitrais medievais, nas catedrais francesas de Bourges e Sens.

Um Símbolo e Representação do Plano de Salvação

Os leitores podem beneficiar-se muito ponderando as escrituras, particularmente quando esses escritos testificam a respeito de Jesus Cristo (ver João 5:39). A parábola do bom samaritano testifica a respeito de Cristo. Ensina o plano de salvação, o amor expiatório do Salvador e nossa jornada para herdar a vida eterna. Pode ser lida não apenas como uma história de um homem que descia de Jerusalém para Jericó, mas também como a história de todos que descem da presença de Deus para viver na Terra. Esse significado se torna mais aparente à luz do evangelho de Jesus Cristo restaurado por Seus profetas modernos.

Analisemos as partes da história.

Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores

Um homem. Os antigos cristãos comparavam esse homem a Adão. Essa relação pode ter sido mais evidente nas línguas antigas do que nas traduções modernas. Em hebraico, a palavra adam significa “homem, humanidade”, “plural de homens”, bem como “Adão”, como nome próprio. Portanto, Clemente de Alexandria poderia muito bem ter visto a vítima dessa alegoria como uma representação de “todos nós”. De fato, todos nascemos como Adão e Eva, sujeitos aos riscos e vicissitudes da mortalidade: “Porque (…) todos morrem em Adão” (I Coríntios 15:22).

Descia. O antigo escritor cristão Crisóstomo viu nessa frase a descida de Adão do jardim para este mundo — da glória para o mundano, da imortalidade para a mortalidade. A história contada em Lucas 10 dá a entender que o homem desceu intencionalmente, conhecendo os riscos a que estaria sujeito na jornada. Ninguém o forçou a descer para Jericó. Ele aparentemente achou que a jornada valia a pena, a despeito dos riscos bastante conhecidos dessas viagens pelas estradas malconservadas da época de Jesus.

De Jerusalém. Jesus descreveu uma pessoa que descia não de um lugar comum, mas de Jerusalém. Devido à santidade da cidade-templo sagrada, os cristãos primitivos prontamente viram nesse elemento o conceito de que a pessoa tinha descido da presença de Deus.

Para Jericó. Jericó foi prontamente identificada como sendo este mundo. A mais de 250 metros abaixo do nível do mar, Jericó é a cidade mais baixa do mundo. Seu clima moderado no inverno fez dela um prazeroso local de lazer, onde Herodes construiu um suntuoso palácio de férias. Mas devemos observar que o viajante da parábola ainda não tinha chegado a Jericó quando foi atacado pelos salteadores. Aquele homem estava descendo pela íngreme estrada que ia dar em Jericó, mas ainda não tinha chegado ao fim da ladeira.

Caiu. É fácil ver aqui uma alusão ao estado mortal decaído e à triste situação do indivíduo em decorrência do pecado: “Todos estão decaídos e perdidos” (Alma 34:9).

Nas mãos de salteadores. Os antigos escritores cristãos viam os salteadores (ou ladrões) como o diabo e suas forças satânicas, maus espíritos ou falsos mestres. A palavra grega para “salteadores” usada por Lucas dá a entender que aqueles ladrões não agiam fortuitamente. O viajante foi assaltado por um bando de ladrões de beira de estrada maldosos que formavam uma sociedade organizada e maligna e agiam de modo deliberado e bem planejado.

os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

Despojado de suas vestimentas. Os cristãos primitivos achavam que Jesus falava de algo importante aqui. Orígenes e Agostinho viam a perda das roupas do viajante como um símbolo da perda da imortalidade e da incorruptibilidade sofrida pela humanidade. Crisóstomo falou da perda de “seu manto de imortalidade” ou “manto de obediência”. Ambrósio disse que o viajante foi “despojado da proteção da graça espiritual que [todos] recebemos [de Deus]”.

Os assaltantes aparentemente queriam a roupa do viajante, porque não há menção de nenhuma outra riqueza ou bem que ele pudesse estar levando consigo. Por algum motivo, os assaltantes pareciam interessados na roupa dele, algo trazido de um lugar sagrado, algo que eles invejavam e que desejavam tirar dele.

Feridas. Esse termo era visto como uma representação das dores da vida, das aflições da alma, da agonia decorrente de vários pecados e vícios. De fato, os inimigos da alma deixam feridas (ver Jacó 2:8–9). A transgressão tem conseqüências reais (ver Alma 41:10).

Meio morto. Os salteadores partiram, deixando o indivíduo precisamente “meio morto”. Podemos ver nesse detalhe uma alusão à primeira e à segunda morte. A pessoa tinha caído, tornando-se sujeita ao pecado, e sofrera a primeira morte, tornando-se mortal. Mas a segunda morte, a separação permanente de Deus, ainda podia ser evitada (ver Alma 12:32–36).

E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.

Ocasionalmente. A chegada do sacerdote judeu foi “ocasional”, e não o resultado de uma busca consciente. Sua presença ali não estava nos planos de ninguém.

Certo sacerdote (…) e de igual modo também um levita. Todos os antigos comentaristas cristãos viam o sacerdote como uma representação da lei de Moisés. Na mente deles o problema não era que os portadores do Velho Testamento não quisessem ajudar o homem caído, mas, sim, que a lei de Moisés não tinha o poder de salvá-lo. De fato, a lei de Moisés era apenas um símbolo e representação da Expiação que viria, e não tinha sua plena eficácia (ver Mosias 3:15–17).

O levita era visto como uma representação dos profetas do Velho Testamento, cujas palavras o Senhor viera cumprir (ver Mateus 5:17; 3 Néfi 15:2–5). Uma classe inferior de sacerdotes, os levitas, faziam as tarefas braçais do templo. Aquele levita, ao menos, aproximou-se para ajudar. Ele “chegou” e viu. Pode ser que ele quisesse ajudar, mas talvez se considerasse indigno de ajudar; ele tampouco tinha o poder de salvar uma pessoa agonizante.

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho;

Um samaritano. Os antigos escritores cristãos sem exceção viam o bom samaritano como uma representação de Cristo. Crisóstomo sugeriu que um samaritano é uma boa representação de Cristo porque “da mesma forma que o samaritano não é da Judéia, Cristo não é deste mundo”.

Os que ouviam Jesus em Jerusalém podem muito bem ter compreendido com isso que o Salvador se referia a Ele mesmo. Alguns judeus de Jerusalém rejeitaram Jesus com o insulto: “Não dizemos nós bem que és samaritano?” (João 8:48). Como Nazaré fica do outro lado do vale, ao norte de Samaria, esses dois lugares poderiam facilmente ter sido considerados como sendo um só. E assim como os samaritanos eram vistos como os mais desprezíveis de toda a humanidade, da mesma forma foi profetizado que o Messias seria “desprezado, e o mais rejeitado entre os homens” e “não fizemos dele caso algum” (ver Isaías 53:3).

Que ia de viagem. Aparentemente aquele samaritano (que representava Cristo) estava deliberadamente procurando pessoas que necessitassem de ajuda. O texto não diz que ele chegou ali por acaso. Orígenes observou que “ele foi com a intenção de resgatar o homem ferido e cuidar dele”. O Salvador veio voluntariamente “para trazer redenção ao mundo” (3 Néfi 9:21).

Compaixão. Essa palavra importante fala do puro amor de Cristo. O texto grego diz que as entranhas do samaritano foram movidas de profunda e íntima compaixão. Essa palavra é usada no Novo Testamento somente quando os autores desejam descrever as emoções divinas de misericórdia de Deus. Ela aparece com destaque nas parábolas do servo incompassivo, na qual o Senhor (representando Deus) foi “movido de íntima compaixão” (Mateus 18:27), e do filho pródigo, na qual o pai (novamente representando Deus) viu o filho retornando e “se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” (Lucas 15:20). Da mesma forma, o samaritano representa o Cristo divinamente compassivo, que sofreu “para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades” (Alma 7:12).

Atou-lhe as feridas. Alguns cristãos primitivos disseram que as ataduras representavam amor, fé e esperança, que são “laços de salvação que não podem ser desfeitos”. Outros viram as faixas como os ensinamentos de Cristo, que nos prendem à retidão. Os santos dos últimos dias poderiam acrescentar que a pessoa resgatada está ligada ao Senhor por meio de convênios (ver D&C 35:24; 43:9).

Óleo. Uma loção de óleo de oliva pode ser muito aliviadora. Embora a maioria dos antigos escritores cristãos tenham visto nisso um símbolo das palavras de consolo de Cristo, Crisóstomo viu isso como uma “santa unção” — que pode referir-se a várias ordenanças do sacerdócio, à cura de enfermos (ver Tiago 5:14), ao dom do Espírito Santo (freqüentemente simbolizado pelo óleo de oliva) ou à unção de um rei ou rainha.

Vinho. O samaritano também verteu vinho nas feridas para limpá-las. Alguns autores cristãos posteriores viram esse vinho como a palavra de Deus — algo que dói mas purifica — mas a interpretação dos antigos cristãos associava o vinho ao sangue de Cristo, simbolizado pelo sacramento (ver Mateus 26:27–29; 3 Néfi 18:8–11). Esse vinho, o sangue expiatório, limpa o pecado e purifica a alma, permitindo que o Espírito de Deus esteja conosco. Além de proporcionar ajuda física, um verdadeiro bom samaritano ministra também os princípios e ordenanças de salvação do evangelho. O vinho expiatório pode doer a princípio, mas seus efeitos logo proporcionam uma paz curadora.

e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;

Ele o pôs sobre seu próprio cavalo. Cristo, cumprindo a profecia, toma sobre Si nossas enfermidades (ver Isaías 53:4; Alma 7:11). Supostamente, o animal do samaritano simbolizava o corpo de Cristo. Acredita-se que o fato de o homem ter sido colocado sobre o animal do samaritano seja uma representação de que Deus Se tornou carne, tomou sobre Si os nossos pecados e sofreu por nós.

Estalagem. Para os antigos cristãos, esse elemento prontamente simbolizava a Igreja. Uma “estalagem” era uma “casa pública aberta a todos”. Um abrigo público é comparável à Igreja de Cristo em muitos aspectos. Uma estalagem à beira do caminho não é o destino celeste, mas um auxílio necessário para ajudar o viajante a alcançar seu lar eterno.

Cuidou dele. O samaritano ficou ao lado do homem ferido e cuidou dele pessoalmente na primeira noite. Ele não entregou rapidamente a pessoa ferida aos cuidados do hospedeiro, mas ficou com ele nas horas de escuridão. Conforme comentou Orígenes, Jesus cuidou do ferido “não apenas durante o dia, mas também à noite. Ele dedicou toda a sua atenção e atividade a ele”.

E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

No outro dia. Os antigos comentaristas viram nisso o conceito de que Jesus levantaria de entre os mortos na manhã da Ressurreição. Cristo ministrou pessoalmente a Seus discípulos por um breve período de tempo. Depois de Sua Ascensão, Ele deixou o viajante aos cuidados da Igreja.

O hospedeiro. Conseqüentemente, os antigos comentaristas viram o hospedeiro, ou estalajadeiro, como sendo Paulo ou os outros Apóstolos e seus sucessores. Se a estalagem se refere à Igreja em geral, o hospedeiro e seus empregados, porém, podem representar todos os líderes da Igreja e pessoas que trabalham nela, a quem foram confiados pelo Senhor os cuidados e a atenção dados a toda alma resgatada que buscar a cura.

Quando eu voltar. A pessoa que representava Cristo prometeu claramente que voltaria, uma evidente alusão à Segunda Vinda de Cristo. O termo grego que é traduzido como “voltar” só aparece uma vez no Novo Testamento em Lucas 19:15, referindo-se à parábola do Senhor que voltaria para julgar o que as pessoas tinham feito com o dinheiro que Ele lhes dera. Essa correlação claramente fortalece essa alusão à Segunda Vinda.

Pagarei ou recompensarei. Por fim, é prometido ao hospedeiro que todas as suas despesas serão pagas: “E tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar”. Talvez mais do que qualquer outro elemento da história, essa promessa — que na verdade era como se o hospedeiro recebesse um cheque em branco — tem confundido muito os comentaristas modernos que vêem essa história simplesmente como um evento da vida real. Quem, em sã consciência, assumiria um compromisso tão generoso com um estalajadeiro desconhecido? Mas se entendermos a história alegoricamente, essa promessa faz sentido, porque o samaritano (Cristo) e seu estalajadeiro já se conheciam e confiavam um no outro antes de a promessa ser feita.

Um Mandamento Eterno

Devido a nossa dificuldade em compreender Sua natureza infinita e plenitude divina, Deus nos fala usando símbolos (ver Moisés 5:7). Os símbolos conduzem nossa mente finita a verdades sagradas que estão inseridas no mistério do incomparável evangelho de Cristo, e uma compreensão alegórica da parábola do bom samaritano acrescenta pontos de vista eternos às exigências morais nela contidas.

Em Suas parábolas, Jesus ensinou os princípios fundamentais do plano de salvação do Pai. Como símbolo e representação desse plano, a parábola do bom samaritano coloca nossas boas ações para com o próximo aqui na mortalidade dentro do contexto eterno do lugar de onde viemos, como caímos para a nossa triste situação atual e como as ordenanças e o amor do Redentor prometido e os cuidados de Sua Igreja podem resgatar-nos de nossa condição atual, à medida que servimos e nos tornamos dignos da recompensa em Sua Segunda Vinda.

A compreensão dessa parábola sob essa luz convida o leitor a identificar-se praticamente com todos os personagens da história. Em certo grau, as pessoas podem comparar-se ao bom samaritano, agindo como resgatadores e salvadores no monte Sião, ajudando na extremamente importante missão de resgatar as almas perdidas. Jesus disse ao fariseu: “Vai, e faze da mesma maneira” (Lucas 10:37). Se agirmos como o samaritano, estaremos unindo-nos a Ele, ajudando no trabalho de levar a efeito a salvação e a vida eterna da humanidade.

Os discípulos também podem imaginar-se como o hospedeiro que recebeu de Jesus Cristo o encargo de ajudar na recuperação espiritual a longo prazo dos viajantes feridos.

Ou também, os leitores podem colocar-se no lugar do viajante. No início da parábola, todos se compadecem do solitário e cansado viajante e se identificam com ele. Todos precisamos ser salvos. No fim da história, todos os viajantes podem sentir-se seguros, tendo aprendido que, de acordo com essa interpretação, Aquele que “foi o próximo [do que] caiu nas mãos dos salteadores” (Lucas 10:36) não é outro senão o próprio misericordioso Cristo. Ele é o nosso melhor exemplo do Próximo.

Esse entendimento responde à segunda pergunta do doutor da lei: “E quem é o meu próximo?” Ao mesmo tempo, também responde à primeira: “Que farei para herdar a vida eterna?” Alcançamos a vida eterna amando a Deus “de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento” (Lucas 10:27) e amando Seu Filho (teu próximo) como a ti mesmo. E isso ocorre quando fazemos o que o Salvador fez, amando nossos semelhantes, porque quando nós os servimos estamos somente a serviço de nosso Deus (ver Mosias 2:17).

Símbolos da parábola do bom samaritano

Símbolo

Uma antiga interpretação cristã

Bom samaritano

Jesus Cristo

Vítima

Homem ferido pelo pecado

Jerusalém

Paraíso

Jericó

Mundo

Sacerdote

Lei de Moisés

Levita

Profetas

Animal

O corpo de Cristo

A estalagem

Igreja

Hospedeiro da estalagem

Cabeça da Igreja

As Mãos, discurso do Élder Monson na Conferência Geral de Outubro de 1972

As Mãos, discurso do Élder Monson na Conferência Geral de Outubro de 1972

Conferência Geral, Outubro de 1972.

As Mãos
Élder Thomas S. Monson (do Conselho dos Doze)

Quando Jesus de Nazaré ensinava e ministrava entre os homens, não falava como faziam os escribas nem os eruditos da época, mas em uma linguagem compreensível para todos. Jesus Cristo ensinava por meio de parábolas; Seus ensinamentos comoviam os homens e os motivavam à uma vida renovada. O pastor na colina, o semeador no campo e o pescador com suas redes, todos eles se converteram em temas mediante os quais o Mestre ensinava verdades eternas.

O corpo humano divinamente criado, com seus realmente maravilhosos poderes e estrutura complexa, adquiriu um novo significado quando o Senhor falava de olhos que não estiveram cegos, mas que na verdade viam; de ouvidos que não eram surdos, mas que na verdade ouviam; e de corações que não estavam endurecidos, mas conheciam e sentiam. Em Seus ensinamentos se referiu ao pé, ao nariz, ao rosto e às costas. São significativas aquelas ocasiões em que falou de outra parte, inclusive da mão humana. Considerada por artistas e escultores como o membro do corpo mais difícil de traduzir em uma tela ou modelar em argila, a mão é um prodígio a contemplar. Nem a idade, nem a cor, nem o tamanho nem a forma distorcem esse milagre da Criação.

Em primeiro lugar, consideremos a mão de uma criança. Quem dentre nós não tem agradecido a Deus e não se tem maravilhado com os Seus poderes quando pega um bebê em seus braços? Essas pequenas mãos, tão pequenas mas tão perfeitas, tornam-se instantaneamente o tema da conversa. Ninguém pode resistir a oferecer seu dedo mínimo à terna mãozinha de um bebê, para que se apegue a ele. Um sorrido aflora nos lábios, um certo brilho se apresenta aos olhos, e se compreende os ternos sentimentos que inspiraram o poeta a escrever as linhas:

“Terno casulo da humanidade,
um fresco manancial do lar de Deus para florescer na terra.”
(Gerald Yiassey)

À medida que a criança cresce, a pequena mão se abre em uma expressão de confiança perfeita. Dita confiança parece dizer: “Pegue-me pela mão, mãe; e então não terei medo”.  A encantadora canção que as crianças cantam de maneira tão bela se converte de imediato em uma súplica de paciência, um convite a ensinar; inclusive uma oportunidade para servir:

“Minhas mãos são pequenas e frágeis assim,
Mas são trabalhadeiras e úteis pra mim.
De manhã ou de tarde, em todo lugar,
Estas mãos pequeninas vão sempre ajudar.

Ao Pai eu dou graças, com grande fervor,
Por estas mãozinhas, tão cheias de amor.
E ajuda lhe peço pra não esquecer
Que preciso ensiná-las a obedecer.”
(Minhas Mãos São Pequenas).

Os sentimentos como o amor e a fé devem infundir sempre em todo pai um compromisso de fidelidade – inclusive uma determinação de fazer o que é correto.
E se fosse necessário enfatizar mais, somente devemos remeternos à ocasião em que os discípulos vieram a Jesus, dizendo:
“Quem é o maior no reino dos céus?
E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles,
E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe.
Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar” (Mateus 18:1-3, 5-6).

As mãos de uma criança são muito importantes.

Em segundo lugar, devemos voltar nossa atenção às mãos dos jovens. Este é um período de treinamento, quando as mãos atarefadas aprendem a trabalhar – e trabalham para aprender. Os esforços honrados e o serviço amoroso chegam a ser características distintas da vida abundante. Ambas as características foram ensinadas eficazmente às moças na classe da Associação de Melhoramento Mútuo quando se assaram biscoitos e levaram às idosas que viviam em algum asilo do bairro. As mãos tremulantes de uma avó se apoiaram na mão firme de uma adolescente; não se falou nenhuma palavra, somente se falou de coração para coração.

As mãos que cozinharam os biscoitos, se ergueram para enxugar uma lágrima, essas mãos são mãos limpas e esses corações, são corações puros. Então, vem o dia em que as mãos de um jovem tomam as mãos de uma moça, e os pais, de repente se dão conta de que seus filhos cresceram. Nunca a mão de uma moça luz tão delicada e esplendorosa, como quando colocam nela o anel que simboliza um sagrado compromisso.

Seu passo se torna rápido, seu semblante luminoso, e todo o mundo lhe parece formoso; o noivado é chegado e o matrimônio o segue, e novamente as mãos se unem, desta vez em um templo santo. As preocupações do mundo são esquecidas por um breve momento, e essas mãos estreitamente unidas falam das promessas do coração. O céu está ali neste momento.

O tempo passa, e a mão de uma noiva se torna na mão de uma mãe, que, sempre gentil, cuida sutilmente de uma pequena e preciosa criança; à banha, à veste, à alimenta e conforta. Não existem mãos como as mãos de uma mãe; sua ternura não diminui através dos anos. Ainda lembro das mãos de uma mãe, a mãe de um missionário. Há alguns anos, em um seminário anual para presidentes de missão, os pais dos missionários foram convidados a reunirem-se e realizar uma breve visita ao presidente de missão. Não lembro dos nomes daqueles que se saudaram e que amistosamente apertaram suas mãos, mas recordo todos os sentimentos que me envolveram quando tomei entre minhas mãos as maltratadas mãos de uma mãe que vivia em Star Valley, Wyoming; ao fazê-lo, ela se desculpou dizendo: “Desculpe o estado de minhas mãos, mas desde que meu esposo adoeceu me acho ocupada com a granja para que nosso filho possa servir ao Senhor como missionário.”
As lágrimas não podem nem devem ser reprimidas. Elas produzem uma certa limpeza da alma, o labor de uma mãe santifica o serviço de um filho. As mãos de uma mãe são adoráveis.

Não devemos esquecer as mãos de um pai. Quer seja um hábil cirurgião, um habilidoso artesão ou talentoso professor, suas mãos são o sustento da família; há uma grande dignidade em seu trabalho honesto e infatigável afã.

Durante o período em que os Estados Unidos da América sofriam uma grande depressão econômica e eu era um menino, nessa época se considerava uma verdadeira fortuna que os homens tivessem trabalho; os empregos eram pobres, com muitas horas e pagamento escasso. Em nossa rua vivia um chefe de família que, apesar da idade, sustentava com o trabalho de suas mãos uma numerosa família composta por meninas puras.
A empresa para a qual trabalhava era conhecida com o nome de “Spring Canyon Coal Company”. Seu trabalho consistia em um caminhão manual, um monte de carvão, uma pá, um homem e seus próprios braços. Desde muito cedo pelo manha, até muito tarde da noite, ele lutava para sobreviver. Ainda assim, durante uma reunião de jejum e testemunho, me recordo muito especialmente quando ele agradecia ao Senhor por sua família e por seu testemunho. Seus dedos eram ásperos, suas mãos, muito rachadas, mas se tornavam cuidadosas quando, com muito amor, tomava pelas costas o banco em que eu sentava no momento em que o irmão James Farrell prestava seu testemunho a respeito de um menino, José Smith, que em um bosque, perto de Palmyra, Nova York, se ajoelhou em oração e contemplou a visão celestial do Pai de seu Filho Jesus Cristo. A lembrança das mãos daquele pai servem para me lembrar sua fé inquebrantável, sua convicção honesta e seu testemunho da verdade.

Na sexta-feira de manhã, neste histórico tabernáculo e nas casas de
membros da Igreja, que viram ou ouviram esta sessão, elevamos nossas
mãos para apoiar um profeta, vidente e revelador: o presidente de A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Nossa mão levantada foi uma expressão exterior dos nossos sentimentos internos. À medida que levantamos as mãos, oferecemos nosso coração. Posso mencionar por um momento as mãos do nosso profeta e presidente Harol B. Lee? Faço isso com humildade e com sua autorização. Há alguns anos, o presidente Lee, dirigido por inspiração e revelação, chamou o irmão Dewitt J. Paul para servir como patriarca em uma estaca da Igreja. O irmão e a irmã Paul se humilharam, se maravilharam, se preocuparam e oraram para obter uma confirmação celestial, o que não aconteceu de imediato.

O voto das pessoas mostrou sua aprovação, então veio o momento da ordenação. Em um porão localizado abaixo da sala onde temos nossas reuniões, Dewitt Paul nervosamente sentado, com uma oração silenciosa em seu coração, em silêncio, aguardava sua ordenação. O presidente Harold B. Lee então colocou as mãos sobre a cabeça do recém-nomeado patriarca e começou a falar. A paz venceu a agitação, a fé a dúvida. Junto da irmã Paul se encontrava um amigo de toda a vida, a quem a irmã havia confiado sua preocupação. Enquanto pronunciava a benção da ordenação, ela abriu os olhos e disse que viu um raio de luz brilhando sobre a cabeça do presidente Lee enquanto colocava suas mãos sobre a cabeça do irmão Paul. Ao finalizar a bênção, ela se apressou em contar ao irmão Lee sobre a confirmação deste chamado. Lhe relatou como viu aquele brilho do sol em forma de raio e como saiu um resplendor de suas mãos. “Na realidade, isso confirma a você que este é um chamado sagrado, porque, como pode ver, neste porão não há janela através da qual se possa entrar raio de sol”. Preciosas são as mãos de um profeta.

Finalmente, podemos falar de algumas outras mãos; as mãos do Senhor; as mãos que guiaram Moisés, que fortaleceram Jose, as mãos prometidas a Jaco quando declarou o Senhor: “Não temas, porque eu estou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41:10).

Estas foram as mãos que expulsaram do templo os cambistas, as mãos amorosas que abençoaram as crianças, as que destaparam ouvidos e restauraram a visão aos olhos cegos. Com estas mãos, o leproso foi limpo, o aleijado curado, e Lázaro restaurado à vida.

Com os dedos de uma dessas mãos, escreveu na areia a mensagem que o ar apagou e os corações honestos retiveram. As mãos do carpinteiro, as mãos do mestre, as mãos de Cristo. Um homem chamado Poncio Pilatos lavou as mãos por este homem chamado Rei dos Judeus. Oh, que tolice! Realmente acreditas que essa água poderia limpar tamanha infâmia?

Relembro que Cristo na cruz se deixou pregar;
Pagou minha dívida, posso eu olvidar?
Não! Não! E por isso a Cristo exaltarei
A vida e tudo o que tenho eu lhe darei.
(Hinos, Assombro Me Causa).

Desprezível é a mão pecaminosa. A inveja é a mão que pinta; honorável a que constrói; apreciada a que ajuda; respeitada a que serve; adorada a que salva, sim, as mãos de Cristo, o Filho de Deus, o redentor da humanidade. Com essas mãos bate à porta do nosso entendimento.

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele, comigo.” (Apocalipse 3:20).
Estamos pronto para ouvir sua voz? Abriremos as portas de nossa vida a sua exaltada presença? Cada um deve responder por si mesmo.
Nesta jornada chamada mortalidade, nuvens de obscuridade podem aparecer no horizonte de nosso destino pessoal. O caminho futuro pode parecer incerto; em nosso desespero, podemos sentir-nos inclinados a exclamar como fez alguém:
“… Eu disse ao homem que esperava a entrada do ano:
Dá-me uma luz onde devo andar sem perigo no desconhecido.
E ele respondeu:
Sai da escuridão e põe tuas mãos na mão de Deus.
Isso será melhor para ti do que uma luz, e mais seguro que um caminho já conhecido.”
Desta solene verdade, eu testifico, e declaro que nosso Senhor e Salvador vive e que Ele dirige sua Igreja com todo o poder de sua mão.

Em nome de Jesus Cristo, amém.

Feliz natal!

Feliz natal!

“Tudo pronto para o natal?”, foi a pergunta desferida-me. Categórico que sou, garanti que sim, pois Cristo já havia nascido. Sustentei, inclusive, que a própria expiação já havia sido realizada.

Minha jocosidade nem sempre é compreendida. Por isso, é exigida de quem relaciona-se comigo elevada porção de paciência e equilíbrio.

O nascimento do Salvador foi proclamado por anjos e profetas. Outrossim, por profetas no papel de anjos mensageiros. O profeta Joseph Smith ensinou, por exemplo, que o anjo Gabriel, enviado à Maria, mãe de Jesus, é Noé, o profeta do Velho Testamento.

A desditosa reação à predição do dilúvio contrasta com a descomunal aquiescência do anúncio do nascimento do Salvador: “eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. O Santo não fora anunciado – por quem o anunciara – casualmente, pois “Noé era homem justo e perfeito em suas gerações”, e “andava com Deus” (Gênesis 6:9). De seus filhos Sem, Cão e Jafé se povoou toda a terra (Gênesis 9:19). O Messias seria sua geração.

O legado de Noé não resume-se à admiráveis arcos-íris logo após as chuvas. Sua coragem e obediência adequaram as circunstâncias terrenas à conjuntura desejada por Deus para a história da humanidade. Cristo é o ponto central dessa história. De igual maneira, José o fez, ao assumir a paternidade terrena do Salvador. Apropriou-se de sofrimento para não ver sofrer o menino. Para o filósofo Marcel Conche, o sofrimento de uma criança é o mal absoluto. Inaceitável em qualquer situação. Inaceitável para José.

O Élder Holland, do Quórum dos Doze, bem observou:

“Eu estava estudando na BYU, terminando o primeiro ano da faculdade quando nosso primeiro filho nasceu. Éramos muito pobres, mas acho que não tão pobres quanto José e Maria. Ainda assim, ao me dar conta de que a nossa noite mais importante estava chegando, acho que teria feito qualquer coisa honrosa neste mundo e hipotecado qualquer futuro que eu tivesse para garantir que minha esposa tivesse lençóis limpos, utensílios esterilizados, enfermeiras atenciosas e médicos competentes para trazer à luz nosso primeiro filho.

Comparo esses sentimentos (que tive no nascimento de cada filho que veio posteriormente) com o que José deve ter sentido ao andar pelas ruas de uma cidade que não era a sua, sem nenhum amigo ou parente por perto, ninguém disposto a estender uma mão amiga. Nessas últimas horas terrivelmente dolorosas de seu trabalho de parto, Maria tinha viajado cerca de 160 km de Nazaré, na Galileia, até Belém, na Judeia. Não duvido que José tenha chorado ao ver sua silenciosa coragem.

Fico pensando nas emoções que José deve ter sentido ao limpar os entulhos e a sujeira dos animais. Imagino se ele sentiu vontade de chorar, tentando achar o monte de palha mais limpo o mais rápido possível e afastando os animais. Fico imaginando se ele pensou: “Será que existe lugar mais inadequado, mais cheio de germes, mais desagradável do que este para uma criança nascer? Será que a mãe do Filho de Deus tem que entrar no vale da morte, num lugar tão desagradável e estranho como este? É justo que Ele nasça aqui? Mas tenho certeza de que José não resmungou e Maria não se queixou. Eles sabiam o que estava para acontecer e fizeram o melhor que podiam.”

As palavras do Mestre bem podiam descrever as adversas circunstâncias de seu nascimento. “As raposas têm seus covis, e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Os animais tinham o seu adereço, mas o infante de Belém, nem enxoval, nem berço.

Humilde submissão, a de Jeová! Descer abaixo de todas as coisas para subir acima de todas elas significava deixar o trono celestial e habitar um local imundo e sujo. Não falo da estalagem ou da manjedoura, mas deste mundo telestial. O genocídio ordenado por Herodes e a falta de lugar na estalagem foram apenas o cartão de visitas deste mundo ao Salvador, que o tanto faria sofrer. Seria aqui desprezado, rejeitado, humilhado. E sem merecer! O único a viver uma vida perfeitamente limpa e obediente, sofreria pela desobediência de todos os outros! Mesmo daqueles que o fizeram tanto mal. Que assombroso é o amor que nós dá Jesus! “Porém ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5).

O mundo, devido a iniquidade, o julgou como uma coisa sem valor. O distanciamento entre o evangelho e o mundo é tamanho, que os comerciantes deliberadamente optam por abrir seus negócios no dia do Senhor. Justificam que as vendas para o natal (o dia da comemoração de seu nascimento) aumentarão. Quando na verdade, Ele próprio ordenou que descansássemos no Seu dia. O mundo está perdido, ababelado e sem rumo. A incompreensão das práticas é imperante. Para nossa melhor compreensão de tais ironias da vida, poderíamos imaginar, por exemplo, o edifício do sonho de Leí, que representa o mundo. Em uma pausa às zombarias àqueles que com esforço seguem o Senhor, adornado com enfeites de natal. Luzes, bonecos de neve, árvores. “Comemorando” a vida do alicerce que eles próprios rejeitam. Estão sem Cristo no mundo, por isso não alcançam o chão.

“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz (…)” (João 3:19).

“E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:5).

“Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu” (João 1:10).

No supra citado sonho, o fruto da árvore, alcançado com esforço, fazia uma pessoa feliz. Que as portas de saída do grande e espaçoso edifício estejam bem indicadas, e que as pessoas empurrem-se, como aconteceu no caminho da barra de ferro, apressando-se para provar do amor de Deus o mais rápido possível.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:16-17).

Nos meus mais sinceros desejos de feliz natal estará embutido esse anseio. Que o conhecimento do menino que nos nasceu inunde a terra, como um dilúvio, e a purifique!